O PAPEL DAS NOVAS TECNOLOGIAS NO PROCESSO DEENSINO
APRENDIZAGEM: DESAFIOS E POSSIBILIDADES
Blanda Aparecida Silva de Azevedo
Pâmela da Cunha Almeida
Scheila Gomes da Costa Pereira
Verônica Silva dos Santos
Introdução
Educação tem por primazia e concepção de que o ser humano é único e ao mesmo tempo é dotado de funções múltiplas e que devem ser compartilhadas. O processo de ensino aprendizagem ocorre desde os primórdios da humanidade. Ultrapassa as barreiras da sala de aula.
O ato de lecionar não é mero status do professor de sala de aula, ocorre um amplo universo de significados para a educação. Aprendemos com nossos pais, avós, amigos, desconhecidos, coisas imprescindíveis para o convívio social. A tal fato de aprendizagem está relacionada a educação.
Além de obtermos aprendizado no convívio social, temos agora a tecnologia como processo de ensino aprendizagem. Hoje, ficou muito fácil e também difícil estudar. Fácil, pois a ferramenta tecnológica nos permite um acesso mais rápido e amplo de conhecimento e difícil no que diz respeito aos vícios que uma ferramenta tecnológica pode trazer, tais como: buscar em sites o conteúdo de determinada disciplina e fazer uso de artigos e textos jornalísticos, plagiando - os.
Em contrapartida tem se visto bons resultados de aprendizagem por meio do ensino à distância, em que alunos e professor interagem em tempo real ou não, e compartilham conhecimento. O professor detém um grande “leque de opções de ferramentas” para dinamizar suas aulas e o aluno tem a oportunidade de expandir seu conhecimento fazendo uso de novas ferramentas tecnológicas.
Os avanços tecnológicos aliados ao processo de aprendizagem vêem acrescentar a melhoria da qualidade do ensino, desde que utilizados a fim de facilitar tal processo e motivar os alunos ao aprofundamento de novas pesquisas de forma a criar e desenvolver seu próprio conhecimento.
Manter-se informado sobre fatos do mundo social se
tornou uma questão de sobrevivência e algo inevitável em atingir metas e obter
sucesso profissional.
Fica evidente a importância de se incluir nas escolas tecnologias que facilitem o ensino aprendizagem, porém, não basta apenas incluir tais tecnologias, é necessária uma revisão nos planos pedagógicos para que estes recursos sejam bem utilizados. Importante também é o desenvolvimento de uma constante atualização quanto aos recursos tecnológicos disponíveis e a melhor maneira de utilizá-los, a escola necessita estar sempre se revendo e se reformulando, além de seus saberes e conhecimentos, seus métodos e recursos tecnológicos utilizados e ainda seus planos pedagógicos.
A tecnologia, pode sim auxiliar na educação, não como salvadora dos problemas que se acumularam no decorrer do tempo, mas sim como um suporte para uma interação entre educandos e educadores de forma mais ágil, facilitando o convívio e a troca de conhecimentos, assim como os softwares criados especificamente para a educação evidenciando resultados positivos. A tecnologia deve ser vista como mais uma ferramenta pedagógica, que se usada de forma correta pode ser muito mais eficiente que outras ferramentas já conhecidas.
As novas tecnologias quando adotadas no ambiente escolar devem se integrar à realidade dos alunos também como recurso interdisciplinar, constituindo-se no desenvolvimento de atividades, projetos e questionamentos.
Está nas mãos dos profissionais da educação a melhor forma de utilizar as tecnologias de maneira a instruir o aluno nesse novo modelo de aprendizagem, já que é o professor quem adapta as maneiras de se levar conhecimento ao aluno. Se o modelo de ensino permanece o mesmo, de nada adianta incluir tecnologias em sala de aula. É preciso que haja a adequação e os professores, como os principais responsáveis, precisam as realizar, sabendo como utilizar de forma proveitosa essas tecnologias e assim incentivar seus alunos a fazer maior proveito possível delas, inovando o processo de ensino aprendizagem e criando alunos autônomos que aprendam a encontrar seu próprio ritmo de estudar e aprender.
1 - Tecnologia na educação e o ambiente escolar
Ao analisarmos os impactos causados pelas tecnologias na educação, observamos que por um lado as inovações tecnológicas criam novas oportunidades de aprendizagem já que oferecem um novo modo de acessar o mundo, de maneira aberta, autônoma e flexível, e de outro lado, muitas pessoas ainda hoje não têm instrução e sabedoria de como utilizar estas tecnologias de modo a obter o melhor proveito. A educação enfrenta desafios para lidar com as inovações tecnológicas, podendo considerar como o maior deles a adequação do ambiente escolar para recebê-las. Grande parte das escolas permanecem com suas salas de aula como eram décadas atrás, sem inovações, sem novas motivações, muitos utilizando o computador para no máximo editar um texto no Word, por exemplo, deixando de fazer uso do mundo que a tecnologia trás em nossas mãos.
1.1 - Mudanças e Desafios na Educação frente às novas Tecnologias Disponíveis
Analisando o sistema de ensino no decorrer da História, podemos perceber que desde que a escola foi criada como sendo uma Instituição Educacional, há a necessidade de inserção de novos métodos de transmissão de conhecimento, pois somente a transmissão via oral não seria suficiente para uma assimilação eficaz do conteúdo a ser apreendido e construído pelo aluno.
Com o acelerado avanço das tecnologias e a facilidade de contato com informações que estão cada vez mais acessíveis, a escola, com seu papel de formar cidadãos de forma integral, aptos a enfrentar as exigências dos novos tempos, tem buscado meios que auxiliem o professor a construir o processo de ensino e aprendizagem de forma mais dinâmica e proveitosa. Mas, considerando todo esse desenvolvimento tecnológico, é observável que métodos convencionais já não bastam para a construção de conhecimento, tendo em vista que é necessário desenvolver ao máximo as capacidades intelectuais dos educandos a cerca do seu modo de observar o mundo que se mostra cada vez mais globalizado e interligado pelas tecnologias.
Observando tantos meios disponíveis a serem utilizados em favor da educação, pode-se ver também como toda essa tecnologia não é, em muitos casos, aproveitada de forma correta. Há, por exemplo, dificuldade de aquisição e adaptação de equipamentos modernos, tendo em vista seu alto custo e a falta de interesse com gatos na educação. Há também escolas que dispõem de tais equipamentos, mas que não contam com a manutenção necessária, e acabam ficando parados sem condições de uso. E há casos em que a tecnologia está disponível, mas sendo utilizada em exercícios de repetição, em métodos que não acompanham e não exploram a modernidade que dispõe. Mas é importante destacar, que em muitos ambientes, a introdução e o uso das tecnologias tem beneficiado muito na aprendizagem dos educandos, no qual alunos utilizam certas ferramentas em favor de seu crescimento, coletando, organizando e analisando dados, melhorando suas apresentações, realizando simulações e resolvendo problemas complexos com o auxílio das tecnologias.
2 - O novo papel do professor no processo de ensino aprendizagem diante às novas tecnologias
Diante as novas tecnologias, é fundamental que o professor assuma uma nova postura no processo de ensino aprendizagem. Porém, nem sempre é uma tarefa fácil para muitos. É possível observar que muitos educadores ainda estão estagnados sim, e não é somente na questão de “atualizar” seus métodos de ensino. Na verdade, estão estagnados dentro de si mesmos, em seus (pre) conceitos diante ao processo de ensino que, de modo geral, sempre deve estar em construção. Mas, como seria a postura interacionista a ser adotada pelo educador? Segundo Silva (2000 apud BRAGA 2001), o professor é aquele que:
[...] constrói um conjunto de territórios a serem explorados pelos alunos e disponibiliza co-autoria e múltiplas conexões, permitindo que o aluno também faça por si mesmo. Isto significa muito mais do que ser um conselheiro, uma ponte entre a informação e o entendimento, [...] um estimulador de curiosidade e fonte de dicas para que o aluno viaje sozinho no conhecimento obtido nos livros e nas redes de computador. [...]
Ou seja, o professor é aquele que terá um papel de desenvolvedor e instigador de novos conhecimentos na utilização das tecnologias neste processo de descoberta. É aquele que provocará curiosidade na mente dos alunos, é aquele professor desafiador. Quando o professor percebe que não há resultados sobre o que está sendo ensinado, é visível que a inovação é o caminho. E não somente sobre uma disciplina específica, mas utilizando da interdisciplinaridade para que os educandos vejam a importância de todas as disciplinas como um todo e não assuntos separados e monótonos.
Exercendo esta nova postura, os resultados serão os melhores possíveis, pois os educandos, motivados pelo professor no desenvolver de diversas atividades e executando-as de maneiras diferentes obterão uma aprendizagem efetiva e não superficial.
Faz-se necessárias novas formas de levar o conhecimento, alunos e professores precisam trabalhar juntos para que a adequação aconteça. Como cita Braga (2011):
Temos a possibilidade de passar do tradicional
modelo de aula expositiva, onde o professor explica e o aluno presta atenção e
toma nota, quando muito interrompe o professor para tirar alguma dúvida, para
um modelo participativo, onde o professor propõe as questões a serem discutidas
e, coletivamente, os alunos constroem as respostas, com o auxílio da web e de
centenas de outras pessoas de qualquer lugar do mundo, conectadas através de
redes.
E completa Sabbi, ao mencionar que o professor assume um novo papel no ensino aprendizagem, que será o de orientar e motivar seus alunos e não mais o de apenas transmitir conhecimentos. Relata ainda, que tudo isso pode ser assustador para o docente já que os métodos utilizados mudaram pouco em muitos séculos e agora aceleraram.
Outro aspecto importante é salientado por Gadotti que nos diz: os educadores, numa visão emancipadora, não só transformam a informação em conhecimento e em consciência crítica, mas também formam pessoas. Assim sendo, cabe a esses profissionais a missão de não só educar mais também de serem capazes de gerar em seus discípulos a tendência em explorar.
2.1 – Resistências quanto à tecnologia
Sabe-se que a tecnologia tem ocupado espaço indissociável da sociedade, fato comprovado pela imensidão de pessoas que tem estado conectado a internet diariamente.
Por outro lado, a educação tem enfrentado muitos problemas em relação a sua manutenção de ensino. Existem muitas escolas que ainda não aderiram a nenhum recurso tecnológico, e o que é pior não estão localizadas em cidades do interior estão nos grandes centros urbanos.
Por outro lado, observa-se que há aquelas em que os recursos tecnológicos são disponibilizados para o processo de ensino aprendizagem, no entanto, não existem profissionais capacitados para a utilização dos recursos, ou então, há pessoal para o manuseio das ferramentas, mas não se interessam em utilizá-los.
Como diz PERRENOUD, em 10 Novas Competências para Ensinar. Artes Médicas, p.139:
“Todo professor que se preocupa com a
transferência, com o reinvenção dos conhecimentos escolares na vida, teria
interesse em adquirir uma cultura básica no domínio das tecnologias, do mesmo
modo que ela é necessária a qualquer um que pretenda lutar contra o fracasso
escolar e a exclusão social. A verdadeira incógnita é saber se os professores
irão apossar-se das tecnologias como um auxílio ao ensino, para dar aulas cada
vez mais bem ilustradas por apresentações multimídias, ou para mudar de
paradigma e concentrar-se na criação, na gestão, na regulação de situações de
aprendizagem.”
2.2 – Funcionalidades da Tecnologia no âmbito escolar
A educação ocorre desde os primórdios da humanidade, no entanto, a cada dia deve ser aprimorada e irrestrita, ou seja, deve ser levada a cidades longínquas. Através da educação à distância, via internet, é possível que tal fato ocorra, demonstra o qual importante é a educação tecnológica.
Outro aspecto relevante é que a tecnologia pode contribuir para o processo de ensino aprendizagem dentro do ambiente físico escolar, pois dinamiza as aulas teóricas e dar ênfase ao conteúdo a ser lecionado pelo professor.
O ambiente escolar deve ser algo agradável e que permita a participação dos alunos na dinâmica preparada e direcionada pelo professor e os recursos tecnológicos norteiam para que a aprendizagem ocorra de maneira satisfatória. A cooperação dos discentes em sala de aula desperta nos mesmos a autonomia, além de que os tornam responsáveis na construção do processo de ensino e aprendizagem.
E ao perceber toda essa dinâmica que a tecnologia proporciona e observando as inovações cada vez mais presentes em nosso dia a dia, o professor, que ainda tem alguma resistência ou que não consegue se integrar a tanto desenvolvimento tecnológico, acaba se questionando sobre o futuro de sua profissão, até mesmo com medo de perdê-la. Daí a importância de se preocupar com a formação inicial e permanente dos docentes, para que essa nova perspectiva de educação faça parte constante de seu cotidiano, o fazendo visualizar de forma tranquila todo esse processo que leva a educação a se inovar a cada dia.
Ter consciência dessa nova perspectiva de educação é compreender que há necessidade de mudanças, que o aluno deve ser incentivado a pensar, e que o papel do professor é muito mais que mediador, sendo formador de cidadãos autônomos e conscientes de sua importância na sociedade, para que estejam aptos a enfrentar desafios futuros. Com essa assimilação entre educação e tecnologia, o professor passa a entender que a aprendizagem acontece de forma dinâmica, e que o aluno está exposto a informações a todo o momento, cabendo ao docente o orientar de forma a organizar tantas informações disponíveis criticamente, possibilitando, assim, uma real construção de conhecimento.
3. As tecnologias assistivas no processo de ensino aprendizagem
A tecnologia em um geral só tem a acrescentar, a melhorar os processos. Para os que possuem alguma deficiência que torne mais complicado sua aprendizagem e inclusão em todos os ambientes principalmente o escolar, certamente mais ainda. A inclusão das tecnologias nas escolas já vem acontecendo, é preciso também que sejam incluídas as tecnologias assistivas para assim atender melhor os alunos com necessidades especiais. Essas tecnologias vêm para contemplar as necessidades de cada aluno em suas peculiaridades, seja ele com alguma dificuldade específica, seja ele deficiente físico ou mental, permitindo ao aluno melhor desenvolvimento e aprendizagem dando a ele possibilidades de se tornar mais autônomo, independente e com melhor qualidade de vida e permitindo ao professor utilizar metodologias específicas atendendo para uma mesma tarefa as especificidades de cada aluno, com softwares e hardware específico e também adaptações.
Temos como exemplos de algumas tecnologias assistivas que podem ser utilizadas no processo de ensino aprendizagem, os equipamentos de acessibilidade ao computador (entrada e saída) citadas por Berschi (2008), que são as pranchas de comunicação, utilizadas com pessoas sem fala ou com dificuldades de comunicação, os acionadores com mouse adaptado, para aqueles com dificuldades motoras para manusear o mouse, o mouse por movimento da cabeça, para aqueles sem movimentação nas mãos ou dificuldades de movimentação, o monitor com tela de toque e a órtese para digitação, todos estes criados e utilizados para atender aqueles com privações sensoriais e motoras.
Referências:
Bersch, Rita. Introduçao à Tecnologia Assistiva. Porto Alegre-RS, 2008. Disponível em <http:// proeja.com/portal/images/semana-quimica/2011-10-19/tec-assistiva. pdf>. Acesso em 23 ago. 2013.
BRAGA, Mariluci. Realidade Virtual e Educação. Revista de Biologia e
Ciências da Terra. v.1. n 1. 2001.
BRAGA, R. Os desafios da tecnologia na educação. 2011.
Disponível em <http://brasileconomico.ig.com.br/noticias/os-desafios-da-tecnologia-na-educacao_9
8367.html>. Acesso em 14 ago. 2013.
GADOTTI, Moacir. Perspectivas Atuais da Educação. Artigo. Disponível em
< http://cead.ifes.edu.br/moodle/mod/resource/view.php?inpopup=true&id=146197 >. Acesso em 18 ago. 2013.
PERRENOUD, Philippe. 10 Novas Competências para
Ensinar. Artes Médicas: 2ª edição, Porto Alegre, 2000.
1.
SABBI, D. O que esperar da escola do futuro? Artigo. Disponível em http://meuartigo.brasilescola.com/educacao/o-que-esperar-escola-futuro.htm. Acesso em 13 ago. 2013.
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